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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Praia de Boa Viagem, meu refúgio recifense

Recentemente, na Especialização em Arteterapia, nos foi solicitado que escrevêssemos sobre algum lugar do Recife que para nós tem um significado especial. O primeiro que me veio foi a praia de Boa Viagem. Explico porque.

Meus pais são sertanejos do Pajeú. Eu de Brasília. Mas em casa mesmo só me sinto quando respirando o cheiro da praia de Boa Viagem. Durante minha primeira infância, morando na capital federal, todo ano vínhamos passar as férias no Recife, na casa de tia Zita e vovô Ciço, e a nossa diversão era, claro, a praia. Eles moravam num prediozinho na rua Félix de Brito, chamado Nossa Senhora Aparecida, santa a que tantos anos depois passei a me afeiçoar, e que no sincretismo religioso, apesar de não ser tida como Iemanjá, a Deusa do Mar, para mim é. O cheiro de Coopertone, não o protetor solar, mas o bronzeador, até hoje me lembra essa época. Cheiro bom! Época de muito raspa-raspa e picolé da Maguary Kibom.

Foi o mar de Boa Viagem o meu primeiro mar, de brincadeiras nas pedras (arrecifes) e na água, mas também de um inesquecível caldo. Era muito pequena quando o tal caldo se deu. Estava aos cuidados de tio Carlos no mar. Não sei exatamente o que aconteceu, só lembro que embolei com a quebrada de uma onda na beira, cambalhotando e engolindo água. Traumatizante. Eu que já era medrosa, fiquei ainda mais temerosa com as águas.

Já morando em Recife, com cerca de dez anos, outro incidente se deu. Eu residia na rua Ernesto de Paula Santos, relativamente próxima à praia, e inventei de - numa ânsia de independência - ir sozinha à praia com uma colega do prédio. Fui me sentindo o máximo, achando-me a emancipada. Deu-se que o mar estava cheio e nós entramos para tomar banho. Um redemoinho pegou minha colega. Fui dar a mão a ela e caí nele também. Que sufoco! Foi a vez em que vi a morte mais próxima. Nossa sorte foi que na época não havia o Porto de Suape e, logo, os tubarões não vinham para próximo à beira do mar atrás de alimento, o que possibilitava que os surfistas pegassem ondas em toda a costa pernambucana. Pois bem, dois surfistas no salvaram! Tubarão mesmo não aparecia, só o cheiro de melancia.

Dos 12 aos 15 anos voltei a morar em Brasília. Minha maior alegria era nas férias chegar no apartamento da minha família no Recife, escancarar a janela do meu antigo quarto, e sentir o vento vindo do mar carregado daquele cheiro de sargaço. Cheguei! Dizia a mim mesma num desabafo transbordante de alegria. Foi nessa época também que surgiram os paqueras e ficantes de férias. Fiquei algum tempo com uma paixão platônica por um menino chamado Pedrinho que morava num pequeno prédio à beira-mar. O mar foi testemunha de toda essa fase.

Lembro bem da sensação do vento forte batendo no meu corpo no caminho da praia, quase me impedindo de andar pra frente, quando já estava próxima à avenida Boa Viagem. Amendoim com guaraná, caldinho de feijão e ovo de codorna eram o meu cardápio praiano. Ao invés de canga, a moda era ficar sempre com uma camisa por cima do biquíni.

Pouco antes de completar 16 anos, meu pai - funcionário do Banco do Brasil - novamente foi transferido de Brasília para Recife. O cargo dele nos dava a regalia de morar num apartamento na avenida Boa Viagem. Escolhi logo meu quarto de frente ao mar, claro. E todos os dias, ao acordar cedinho para ir ao colégio - onde eu deveria cursar o 1º ano do Ensino Médio – ainda na cama, olhava para aquele marzão lindo, colocava o biquíni, a farda do colégio por cima e não ia para o colégio, ia para praia. Naquele ano (1989), acabei parando de estudar, só regressando à escola no ano seguinte. A praia me era mais vital. Foi nessa época que conheci Doda, grande amiga que estudava no mesmo colégio que eu, mas que também não ia para aula, ia para praia.

Nos finais de semana, praia ao meio-dia, em frente ao Acaiaca. A moda aí já era canga, não mais camiseta. E não posso deixar de citar as semanas pré-carnavalescas que, apesar das fuleragens, dava pra curtir. Ainda não existia abadá, nem cordões de isolamento. O trio era o Asas da América.

Na praia de BV conheci e vivi amores e desamores. E quando, aos 21 anos, recebi o resultado positivo do exame de gravidez da minha primeira filha, Luana, fui junto ao pai dela sentar nos arrecifes e ouvir os conselhos do Vento e do Mar.

E – apesar de toda sujeira e cada vez menos faixa de areia - é para praia de Boa Viagem que corro ainda hoje quando preciso de paz, sal e sol. O som das ondas emudecem o barulho dos carros e sinto-me consolada e momentaneamente salva da loucura dessa grande cidade que hoje é Recife. Me salva também das agonias mentais e emocionais que vezes me assolam.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

dois cordões
meu eu partido
um sangra
outro constela
em busca de roxear
para ser pássara
dourada

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Da escuridão abissal
Ressurjo Vermelha
Presente do Verde
Confiança no Azul
No sangue que é Mar

domingo, 3 de julho de 2011

Esfacelada
Pedaços de mim se contrapõem
Tentativas de achar-me me confundem
Chego a desconhecer-me no espelho

Agora
O momento suplica por eu nua
E protegida.

domingo, 19 de junho de 2011

Vê-me no espelho.
No espelho te vejo me vendo.
À espera, Amor!
Vôo
Reencontrar-me
Pássara
que tem ninho
e flui

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Entregue ao Mar
Eu translúcida
Frágil
Cortante
Sal, Sol, Sal
Eu no fundo
Eu boiando

quarta-feira, 18 de maio de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Lula Côrtes

Lua Minguante

Lula me apareceu em 1993, quando ouvi ‘Desengano’. Cris Jerônimo - um amigo da faculdade - tempos depois nos levou à casa dele, em Candeias. Encantei-me! Eu tinha 20 anos na época. Época boa, novas experiências, aventuras, subversão. Tudo a ver! Vitalidade! Eu Vital! Lula Vital!

Lembro de um show dele com a companheira Má Companhia, na Soparia, em algum Natal, ele era Papai-Noel, e Jesus. No Tipóia, em Tracunhaém, acho que em 2005, tive a honra de filmar um show massa. Procurei agora a fita e achei! Uhuu!! Presente! Eita que momentos sagrados! De cara, o encontro dele com Erickson Luna. Tavam felizes! A Má Companhia tava feliz!A cidade tava feliz! Vou postar a filmagem bruta, dos tempos quando comecei a filmar e vivia com a câmera e poucas fitas e uma só bateria.

Há não muito tempo fui na bela casa da UBE/PE pro lançamento de mais um livro de Cristiano Jerônimo, livro este ilustrado por Lula. As imagens estavam expostas nas paredes. Nesse dia Lula recebeu carteira de sócio efetivo da UBE, retroagindo o ano de admissão a 1972, quando lançou o Livro das Transformações. E também nessa noite, ouvi o ‘discurso’ mais sagrado que já ouvi. Augusto!

Fazia sete anos que eu não brincava Carnaval. Este ano resolvi ir ao centro do Recife. No domingo soube que iria ter show de Lula no Pátio de São Pedro. Quando cheguei tava rolando uns Afoxés e mais tarde rolou o show dele. Foi estranho! Ouvi umas três músicas meio de longe e resolvi ir embora. Mas antes de partir fui lá na frente do palco e fiquei olhando ele de perto. Já tava na travessia, e eu já sentia.

Tava na manhã de hoje no CEL (Centro de Educação e Lazer) quando o telefone de meu cumpade Moa tocou e ele me deu a notícia da partida de Lula. Baque. Luz. Já noite, olhando estrelas, lembro de ‘Desengano’. Choro, de Amor.

Guerreiro Sagrado Rola qual Pedra, Azul, Encandeia... em Tempos onde Netuno retorna a Peixes.

Eis o presente:
Lula Côrtes no Tipóia - parte 1
Lula Côrtes no Tipóia - parte 2
Lula Côrtes no Tipóia - parte 3

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lá fora o ar tá quente
Em mim tudo fervilha
Amor, Amor, Amor
E dor
Preciso de mim
E dele.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Meu Cristal se partiu
Em mais dois se refez
Ao Mar os retornei
E me abri pra viver ainda mais intensamente
Mais estrela

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mais aperto
Mais peito

Derramo-me
No sentir

Escorro vontade

Transbordo
Em teu colo

terça-feira, 28 de setembro de 2010